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As pessoas não são o elo mais fraco, mas sim os heróis da segurança da informação!

Este mês é o Mês da Cibersegurança e as pessoas vão voltar a ouvir com frequência que são “o elo mais fraco”. É uma frase comum que aparece em muitos artigos e apresentações e que hoje se tornou um dado adquirido.

As pessoas, claro, cometem ocasionalmente erros por descuido. Escolhemos palavras-passe fracas, clicamos nos links errados ou quebramos regras predefinidas. De facto, há casos em que estes erros resultam em incidentes significativos de segurança da informação. Mas será justificável responsabilizar apenas as pessoas? Além disso, será mesmo razoável pensar que as pessoas conseguem proteger-se completamente da imensidão de ciberameaças que encontram diariamente?

A quantidade de sistemas e aplicações que os trabalhadores têm de usar hoje em dia é enorme. O ambiente de trabalho digital é mais complicado do que nunca, com sistemas de email, ferramentas de gestão de projetos, soluções cloud e software de segurança entre os seus muitos componentes. Embora isto apresente muitas oportunidades de eficiência e cooperação, também torna muito difícil implementar sempre as precauções de segurança certas.

Além disso, muitos destes sistemas carecem de facilidade de utilização e de intuitividade. Na realidade, a simplicidade uniforme de uso fica frequentemente em segundo plano, já que geralmente são criados em torno de processos individuais. Isto aumenta grandemente a possibilidade de erro humano.

Quando algo corre mal, muitas organizações e profissionais estão prontos a culpar as pessoas. Mas será que isso é realmente justo? Não deveríamos antes focar-nos em quão difícil e inacessível é a tecnologia que se espera que as pessoas usem?

Já para não falar de que o número absoluto de ameaças aumentou drasticamente. Os cibercriminosos lançam milhões de ataques todos os dias, desde operações sofisticadas de ransomware a emails de phishing. Não devíamos esperar que o funcionário típico esteja preparado para lidar com riscos desta natureza, porque não está. Sob pressão ou exaustão, até o especialista mais competente pode inadvertidamente fazer a escolha errada.

Assim, é ridículo assumir que as pessoas, independentemente do seu nível de formação, nunca cometerão um erro. Devido ao enorme volume de ataques e às estratégias astutas empregues pelos cibercriminosos, os erros vão inevitavelmente ocorrer de vez em quando. Isto é apenas um facto do ambiente digital contemporâneo, não um sinal de fraqueza.

É tempo de reconsiderar esta postura sobre a segurança da informação. Em vez de ver as pessoas como o elo mais fraco, devíamos reconhecer que cada dia que passa sem um incidente de segurança é um sucesso, em grande parte atribuível ao trabalho dos colaboradores. As pessoas são a mais importante linha de defesa de uma organização contra ciberataques, e cada dia que passa sem um indica que o seu pessoal fez bem o seu trabalho.

Reconhecer e valorizar as pessoas por aquilo que são, os heróis anónimos da empresa, é crucial. Aquilo de que precisamos é de uma mudança de perspetiva. Precisamos de capacitar e encorajar as pessoas em vez de as retratar como o elo mais fraco. Claro que sensibilizar e proporcionar formação são cruciais, mas também o é fomentar um clima de trabalho onde os colaboradores se sintam valorizados e respeitados. Um contexto onde os erros são vistos como oportunidades de crescimento e aprendizagem, e não como sinais de fracasso. Isto é fundamental, porque os ciberataques só vão melhorar, e as defesas das pessoas contra eles precisam de ser igualmente flexíveis.

As empresas também têm de assumir a responsabilidade pelo equipamento e pelos procedimentos que dão ao seu pessoal. O design da tecnologia deve dar prioridade à intuitividade e à facilidade de utilização, com a excelente segurança a seguir-se naturalmente. Sistemas fáceis de usar e seguros fazem os colaboradores sentir mais confiança no seu trabalho e evitam erros.

Em vez de nos concentrarmos nos erros cometidos, queremos tirar um momento para reconhecer os inúmeros casos em que as pessoas fazem a escolha certa. Um dia bem-sucedido é aquele que decorre sem incidentes. Tratemos os colaboradores das nossas organizações com a dignidade e a gratidão que merecem. Uma vez que são os ombros firmes que sustentam a segurança da nossa organização, não são o elo mais fraco.

À medida que a nossa compreensão da segurança da informação continua a evoluir, é imperativo reconhecer que a tecnologia é apenas uma parte da história. Quando lhes são dados os recursos e o apoio adequados, as pessoas podem verdadeiramente emergir como heróis no campo da cibersegurança. As empresas investem muito dinheiro em defesas tecnológicas como firewalls e encriptação, mas sem as pessoas, essas táticas são, em última análise, inúteis. Colaboradores que estão atentos, cautelosos e motivados são muito mais aptos a ver potenciais ameaças, a reportar atividade duvidosa e a integrar os protocolos de segurança nos seus dias de trabalho.

É crucial ter em mente que qualquer solução tecnológica vale apenas tanto quanto a cultura de segurança em primeiro lugar de uma organização. Uma cultura onde a ciber-higiene é valorizada, as equipas colaboram para responder a desafios de segurança e a segurança está integrada nas operações diárias pode reduzir significativamente a probabilidade de incidentes. Realizar sessões de formação, dar atualizações regulares sobre novos perigos e promover um local de trabalho aberto onde os colaboradores se sintam à vontade para reportar falhas ou fazer perguntas são todos passos cruciais para alcançar este objetivo.

As organizações também não devem depender exclusivamente da excelência humana. Em vez disso, a implementação de soluções de segurança em camadas, como sistemas automatizados de deteção de ameaças, enquadramentos Zero Trust e ferramentas de reação em tempo real, pode mitigar o impacto do inevitável erro humano. Juntos, o esforço humano e a tecnologia engenhosa criam um mecanismo de proteção formidável, provando mais uma vez que os colaboradores não são o elo mais fraco de uma empresa segura, mas sim o seu esqueleto.